07/04/2017 às 00h10min - Atualizada em 07/04/2017 às 00h10min

O flagrante da vida.

¹Soren Kierkegaard; Temor e tremor Pg:202
Charles Rezende
Cena do filme
Já foi dito que “ Nada será perdido dos que foram grandes; cada um a seu modo e segundo a grandeza do objeto que amou”.¹ E todos sabem que do tribunal da história ninguém escapa. Mas qual homem escapa de uma vida em que ele     deseja as próprias coisas pelas quais é dominado e explorado: beleza, poder e dinheiro ( pois não são a mesma coisa), admiração, sexo tc e tal.
                         
No filme “"The Dresser",  Sir (Anthony Hopkins) é um velho e famoso ator, mas que não soube lidar com a modernidade e com os sentimentos afetivos. No filme, ele caba  amargurado e demente; contando apenas com o seu velho camareiro, que o amava e ainda conseguia conviver com ele, Mas, vindo a morrer dentro do próprio camarim, agonizante ele pede para a esposa, filha, amantes e colegas de trabalho, que sempre tratou com indierença, dizerem para os jornalistas que ele tinha sido uma boa pessoa – mas o seu próprio camareiro termina o filme  xingando e amaldiçoando o já moribundo ator. 
 
Em a "A Origem da Tragédia", Nietzsche retira da antiga mitologia grega  a impressão sobre a vida “dionisíaco” - Um tipo de tragédia que transforma a realidade em um fenômeno estético, mas sem cobrir a realidade. Seria essa uma grande desculpa para sermos o que achamos que somos e, de modo inconseqüente, tentar transformar o mundo, destruindo-o!?, ou é só uma distorção da grandeza do objeto que desejamos ter, ou que queremos ser, ou mesmo, já somos?!
 
Não! Não estou tentando ser intelectual demais. Só estou tentando  dizer que, do ateu ao mais religioso, do maior filósofo em sua cátedra ao bêbado resmungando na sarjeta de algum bar; todos um dia serão versos citados por alguém; poemas de um livreto esquecido numa prateleira; piadas em rodas de amigos; boletins de ocorrência ou declarações de óbito. Ninguém ficará sem um legado, mesmo que seja de destruição ou de ostracismo.

 
Isso pode parecer meio piegas, mas você percebe que não é. É só olhar a seu redor e observar, atônito,  tantos empresários, políticos e religiosos pegos em flagrante, porém livres - gozando das fretas da lei brasileira -, negarem seus crimes, e gastarem muito dinheiro com isso, alguns, até depois da sua morte, através dos filhos ou bons advogados, continuam tentando que o "povo" fale em dele - tarde demais. 

Qual o teu legado? 
 
 
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