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26/12/2018 às 14h48min - Atualizada em 26/12/2018 às 14h48min

Após prestar depoimento, João de Deus deixa o MP em Goiânia

Mais Goiás
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Escoltado por agentes da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária, o médium João de Deus, preso preventivamente no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional, foi encaminhado à Sede do Ministério Público estadual (MP-GO), onde chegou às 10h desta quarta-feira (26). Lá, ele foi ouvido por mais de duas horas sobre três das mais de 500 denúncias de abuso sexual das quais está sendo alvo desde que 10 mulheres se declararam vítimas do líder espiritual em um programa televisivo. Com o término da oitiva, o médium foi reconduzido por agentes armados de volta à sua cela.

O depoimento ocorreu durante o feriado de natal, que naquele órgão, se estende até as 12h desta quarta (26). No início da Manhã, quando o Mais Goiás ainda tentava confirmar a o depoimento, a redação foi informada de que só estavam no prédio uma secretária e um guarda, que confirmaram a movimentação e ressaltaram que a entrada de João, provavelmente, seria pelo subsolo. De acordo com a defesa do médium, todas as perguntas foram respondidas e o líder espiritual não se lembrou de nenhuma das vítimas declaradas, ao passo em que negou, “com veemência”, ter praticado qualquer abuso sexual.
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Segundo o advogado Alberto Toron, além da força-tarefa, a própria defesa pôde fazer perguntas ao médium. “As indagações foram específicas, relacionadas a casos de três senhoras. Ele não se lembrou de nenhuma delas. Ressaltou, entretanto, que eram atendidas muitas pessoas e que era e é impossível se lembrar de cada uma delas pelo nome, até porque não foram apresentadas fotos das supostas vítimas”. O Mais Goiás tentou contato com a assessoria de imprensa do MP, mas as ligações não foram atendidas.

Médium chegou escoltado ao prédio do MP (Foto: Thaís Lobo/Mais Goiás)

A mulher dele, Ana Keyla Teixeira, por sua vez, prestará depoimento sobre as acusações contra o marido. A oitiva está agendada para as 13h desta quarta (26), na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), a mesma onde o marido foi ouvido após se entregar no último 16/12.

De acordo com a Polícia Civil (PC), nenhum depoimento do médium deverá ser colhido ainda nesta semana, já que diligências e oitivas de testemunhas serão realizadas. O Mais Goiás tentou contato com a assessora de João, para saber em que condições o líder religioso está sendo mantido no Núcleo de Custódia, porém, foi informado de que ela está em viagem e que não poderia atender ligações.

Confira vídeo em que João de Deus deixa a sede do MP: 

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Vídeo: Tv Anhanguera

“Réveillon”

A defesa de João de Deus recebeu um reforço durante o dia de Natal (25). Desde então, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay (foto), compõe a equipe com um objetivo específico: atuar em prol do pedido de liberdade protocolado nos tribunais superiores, em Brasília.  Até o momento, o jurista afirma ter havido uma negativa de liminar por parte do Superior Tribunal de Justiça (STJ), motivo pelo qual o pedido está com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

“Ele solicitou informações ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e também ao STJ, material que deve ser juntado ainda nesta quarta-feira (26). Minha intenção é ter um encontro com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para pedir urgência. O Intuito é fazer com que a liberdade dele saia antes do réveillon”, expõe. Um dos mais renomados advogados do Brasil, Kakay é contratado por vários acusados na Operação Lava Jato e também defende o ex-governador Marconi Perillo na Cash Delivery e desdobramentos.

Advogado lutará por habeas corpus antes do ano novo (Foto: divulgação/Mais Goiás)

A contratação de Kakay pode ser interpretada como um último esforço esperançoso da defesa em obter a liberdade do médium, já que o bojo do inquérito contra João de Deus tem ficado cada dia mais robusto. Na última semana, em um porão, agentes da Polícia Civil (PC) encontraram mais R$ 1,2 milhão em dinheiro, mais uma arma e uma algema em uma propriedade do médium em Abadiânia. Várias pedras, supostamente, preciosas, também foram apreendidas e serão periciadas.

Porém, Kakay enxerga “com normalidade” sua contratação diante da defesa já constituída por Alberto Toron, que continua responsável pelo processo enfrentado pelo líder espiritual em Goiás. “Não há mal-estar. Isso é muito comum no meio jurídico. Toron é um grande amigo, de muitos anos, e tenho profunda admiração por seu trabalho. Atuo em Brasília, em meu dia-a-dia, é comum que façamos esse tipo de parceria”.

Este portal também tentou contato com o advogado Alberto Toron, mas as ligações não foram atendidas.


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