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01/01/2018 às 11h38min - Atualizada em 01/01/2018 às 11h38min

Ano Novo na Visão de um Sábio do Islam

A L M A D I NA
Sheikh Aminuddin - Hajj Hamzah Abdullah

No Mundo existem vários calendários, desde o chinês ao hindu, ao judeu, ao cristão, etc.

 
Os muçulmanos também têm o seu calendário, cujo ano (1436) terá início amanhã, 24.10, ou no dia 25.10.
 
O primeiro mês do calendário isslâmico é Muharram, mês este de grande importância para os muçulmanos. 
 
O primeiro dia do ano é sempre um dia de reflexão e alegria para todos os povos. E todos os povos vivos reflectem nesse dia, se a sua vida teve êxito u não. Se teve, demonstram alegria, mas se pelo contrário tiveram falhanços, então reflectem sobre como corrigir as suas falhas e atingir o êxito.
 
Infelizmente hoje em dia nós estamos muito confusos e baralhados. Muitos de entre nós nem sequer sabemos porque é que estamos aqui no Mundo, qual o objetivo da vida, e para onde vamos quando deixarmos este Mundo.
 
O nosso exemplo é como o do viajante que se perde no caminho, andando de um lado para outro, tão confuso e baralhado, que não consegue atinar com o seu destino.
 
Está a chegar o primeiro dia do ano e muitos de entre não sabemos qual é o nosso primeiro dia do ano, e em que ano estamos.
 
Este primeiro dia do ano tem algumas exigências. Vivemos hoje uma era de exigências e de direitos. É a era da força. Se alguém tiver força e coragem para clamar pelos seus direitos, usa os meios de que dispõe para resgatar esses seus direitos. Por isso notamos que um pouco por todo o lado as pessoas exigem os seus direitos. Porém, os que exigem os seus direitos devem ter presente que, antes de exigirem aquilo que acham serem seus direitos, têm a obrigação de observar os direitos dos outros. Hoje, muitos de entre nós não observamos os direitos dos nossos semelhantes, mas exigimos que estes observem os nossos direitos.
 
Se eu próprio for injusto para com os outros, como então posso esperar que eles sejam justos para comigo?
 
Só tem direito de exigir o seu direito, aquele observa o direito do outro.
 
Infelizmente hoje ninguém quer observar o direito do seu próximo, mas exige que este observe o seu.
 
Os governantes exigem que os governados sejam obedientes e cumpridores, que não se manifestem e não se rebelem, mas esquecem-se que é sua obrigação proporcionar bem estar ao povo, tirando-o da miséria e do sofrimento.
 
Por outro lado o povo vive numa permanente preocupação com a sua subsistência quotidiana, fazendo tudo por ver os seus direitos observados, mas neste processo muita gente, por desleixo e até mesmo por incúria, exime-se das suas obrigações de cidadãos de um País, pois acham não ser sua responsabilidade cumprir com certas obrigações, que têm em vista o progresso do País e da Nação.
 
Os grandes empreendedores e proprietários concentram a sua atenção no desempenho dos seus empregados, exigindo destes a sua máxima dedicação nas actividades que levem ao progresso do seu empreendimento, mas por outro lado não pensam que também eles têm a obrigação de suprir as necessidades básicas dos seus colaboradores, pois da mesma forma que estes dedicam toda a sua vida ao serviço do patronato, em troca os proprietários de empreendimentos também devem preencher as suas necessidades da vida. Todavia, muitos empregados acham não ter responsabilidades com o patronato, passando a maior parte de tempo a pensar na forma de exigir os seus direitos.
 
E esta é ironia dos nossos dias.
 
O Novo Ano tem alguns direitos sobre nós, sendo um deles a sensação de alegria, pois é tradição no Mundo as pessoas demonstrarem alegria nos primeiros dias, no primeiro dia do ano, augurando assim bom augúrio para os restantes dias.
 
O Isslam estabeleceu regras e limites na manifestação de alegria pela chegada do Novo Ano, contrariamente a outras sociedades que celebram o evento do primeiro dia do ano entregando-se a bebedeiras, orgias e outro tipo de excessos e imoralidades.
 
O segundo direito é a reflexão dos dias que passamos no ano findo. Se os passamos bem, de acordo com o preceituado pelo nosso Criador, então devemos agradecer à Deus, e tentarmos melhorar ainda mais neste Novo Ano o nosso desempenho como crentes. Se pelo contrário, cometemos alguns erros neste ano a findar, devemos tentar corrigir tais erros no Novo Ano, à semelhança do comerciante de sucesso, que anualmente faz o balanço das suas actividades comerciais no final do ano, e no ano seguinte traça uma estratégia com vista a minimizar os prejuízos e aumentar os lucros, esforçando-se na implementação dessa estratégia.
 
Os doze meses do ano e os 29 ou 30 dias de cada mês, são criação de Deus, mas naquilo que Ele cria, eleva o que quer. Nas pedras encontramos não só as pedras normais usadas na construção, mas também as semi-preciosas, as preciosas e os diamantes. Nas areias encontramos as areias normais, e também as valiosas, que contêm minérios de médio e alto valor. Nas águas encontramos as normais, e também as valiosas (medicinais). Nos metais encontramos não só os normais, mas também os preciosos. Nas pessoas, há as que foram mantidas no seu grau normal, e outras elevadas a graus máximos. E isto aplica-se também aos tempos, às horas, aos dias, às noites, aos meses, etc.
 
O Profeta Muhammad (S.A.W.) falou-nos acerca do valor deste mês de Muharram, e disse ser o mês de Deus (relato de Musslim), recomendando aos muçulmanos o jejum no dia 10, jejum este conhecido por “Ashura”. É desejável que para além deste dia se jejue mais um dia, podendo ser antes de “Ashura” (dia 9) ou depois (dia 11).
 
O valor deste mês não se deve à morte do Imaam Hussein, neto do Profeta (S.A.W.), pois no Isslam o luto não vai para além de três dias. O valor de “Ashura havia já sido estabelecido no tempo do Profeta Muhammad (S.A.W.).
 
Para terminar, gostaria de desejar a todos ! UM NOVO ANO cheio de bênçãos. 
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