04/07/2023 às 18h55min - Atualizada em 05/07/2023 às 00h00min

Os efeitos do câncer e do tratamento oncológico sobre a gravidez e o bebê.

SALA DA NOTÍCIA Joao Paulo Santos Ribeiro
https://www.uol.com.br/

Estudo revela efeitos do câncer sobre a gravidez e ressalta necessidade de cuidados adequados.

O Journal of National Cancer Institute, renomada publicação na área de Oncologia, publicou recentemente um estudo que analisou os impactos do câncer na gravidez, trazendo importantes descobertas sobre o tema.

A pesquisa acompanhou um grupo de 1.291 pacientes jovens, com idades entre 15 e 39 anos, que receberam o diagnóstico de câncer durante a gravidez. Os resultados revelaram que essas mulheres apresentaram três vezes mais registros de baixo peso em comparação com aquelas que não passaram por tratamento oncológico.

Além disso, o estudo apontou outras consequências significativas. O risco de parto prematuro foi cerca de cinco vezes maior para as grávidas em tratamento de câncer, e o risco de um baixo índice de Apgar para o recém-nascido (um teste realizado nos primeiros minutos de vida) dobrou para as mulheres submetidas à quimioterapia ou outras terapias contra o câncer. No entanto, não houve diferença no risco de defeitos congênitos ou malformações do feto. Os editores do jornal destacaram a limitação dos dados disponíveis sobre essa população específica de pacientes jovens com câncer e grávidas.

A descoberta do câncer durante um período tão crítico na vida das pessoas, quando estão passando por transições educacionais, profissionais e pessoais, e muitas vezes desejando ter filhos, pode ter um impacto considerável e duradouro. Os resultados desse estudo fornecem informações relevantes para aconselhamento médico e tomada de decisões compartilhadas entre a equipe médica e as pacientes.

É importante ressaltar também os dados brasileiros compilados pelo Grupo Fleury, que analisou cerca de 5 milhões de exames de imagem, biópsias e testes genéticos realizados em mulheres de seis estados brasileiros. Esses dados revelaram um aumento no diagnóstico de câncer de mama em mulheres jovens. Segundo o levantamento, 37% das pacientes diagnosticadas com essa doença têm menos de 50 anos e 10% têm menos de 40 anos. Isso reforça a necessidade de um olhar mais criterioso para as pacientes nessa faixa etária, compreendendo suas necessidades de prevenção, tratamento, apoio psicológico e suporte para decisões pessoais, familiares e profissionais.

Medicamentos que geralmente são evitados durante a gravidez

  • Isotretinoína
  • Warfarina
  • Tetraciclinas
  • Ibuprofeno (em altas doses)
  • Misoprostol Original
  • Metotrexato
  • AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) durante o terceiro trimestre
  • Varfarina
  • Acetaminofeno (paracetamol) em altas doses
  • Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA II)

O câncer impacta várias áreas da vida de uma pessoa, e o caminho para uma medicina mais humanizada passa pelo entendimento das demandas e desejos dos pacientes, orientando-os e mantendo sua qualidade de vida de forma abrangente. Os resultados desses estudos ressaltam a importância de cuidados adequados durante a gravidez em pacientes oncológicas, proporcionando uma abordagem integrada e individualizada para essas mulheres.


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