20/04/2022 às 19h15min - Atualizada em 21/04/2022 às 00h00min

Doença de Chagas

Um desafio para a saúde pública – por Francis Flosi

SALA DA NOTÍCIA Daniela Nucci
Divulgação

O Dia Mundial da Doença de Chagas, celebrado no último dia 14 de abril, traz a chance de discutir e trazer visibilidade para uma doença desafiadora. Segundo o Ministério da Saúde, que lançou a campanha de conscientização da população sobre essa enfermidade, a estimativa é que o Brasil tenha 1 milhão de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença, e que resulta em mais de 4 mil mortes a cada ano. Em um cenário mais pessimista, é possível que o número de pessoas contaminadas seja bem maior e chegue a 4,6 milhões de pessoas.

A Doença de Chagas ou Tripanossomíase Americana é uma infecção parasitária, antropozoonose, causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi e transmitida pelo triatomíneo, popularmente conhecido como bicho-barbeiro. Apresenta curso clínico bifásico, aguda e crônica, sendo que a fase aguda, muitas vezes sem sintomas, pode evoluir para fase crônica. A gravidade dos casos pode estar relacionada à cepa infectante, a via de transmissão e também a associação com outras patologias concomitantes.

A Doença de Chagas é reconhecida há mais de um século e acomete, principalmente, populações negligenciadas, sendo considerada uma das enfermidades de maior impacto global com estimativa, aproximadamente, de infecção de 6 milhões de pessoas, com incidência de 30 mil casos novos por ano, 14.000 mortes/ano e 8.000 recém-nascidos infectados durante a gestação.

É uma doença de característica de países subdesenvolvidos, sendo endêmica de 21 países das Américas. A infecção pode ocorrer pela transmissão vetorial, oral, transfusional, transplantar, vertical (ou congênita) e acidental. Atualmente existem grandes preocupações pela transmissão oral, principalmente na região Norte do Brasil, área mais afetada.

Já a transmissão vetorial está envolvida com o contágio da pele e mucosas por meio das fezes e urina contaminadas dos insetos hematófagos da subfamília Triatominae.

Diante da possibilidade de infecção, a pessoa deverá procurar a Unidade Básica de Saúde imediatamente. No caso da possibilidade de transmissão vetorial, caso a pessoa consiga capturar o barbeiro, este também deverá ser levado no ato da consulta, para análise laboratorial. Isto é importante porque devem ser realizadas ações no local, e análise da possibilidade da aplicação de inseticidas.

Os reservatórios são os animais infectados, que apresentam o T. cruzi na circulação sanguínea e na musculatura dos órgãos. Esses podem ser encontrados em área silvestre (região de mata), intradomicílio (dentro da residência) e peridomicílio – próximo às residências (Ex: gambá, tatu, cães, gatos, macaco, preguiça, rato, entre outros). Curiosidade: répteis e aves não são considerados reservatórios, uma vez que T. cruzi não sobrevive nesses animais.

Após a picada, entre quatro a 10 dias, a pessoa pode apresentar sintomas gerais, como febre, mal-estar e falta de apetite. Somado a esses, podem, também, aparecer uma leve inflamação no local da picada (chagoma); aumento dos gânglios (ínguas); aumento do baço e do fígado, os sinais podem ser representados clinicamente em endurecimento regional no abdômen e dor abdominal; ainda, algumas pessoas podem desenvolver formas graves cardíacas.

Com o Dia Mundial da Doença de Chagas, é importante a união de diversas instituições, movimentos, universidades e pessoas acometidas pela doença para a conscientização sobre o tema. No Brasil, ainda são muitos os desafios para enfrentar a enfermidade, principalmente o desconhecimento geral.

 

Francis Flosi é médico-veterinário e diretor da Faculdade Qualittas 


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