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08/11/2017 às 08h53min - Atualizada em 08/11/2017 às 08h53min

Canalhas ou estúpidos?

Luciano Pires - Hajj Hamzah Abdullah
Hajj Hamzah

A sequência de acontecimentos que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff foi uma aula de sociologia, antropologia, política e, especialmente, comportamento humano para quem conseguiu manter a cabeça fria durante cada passo do processo. Eu me refestelei… E até criei um bloco novo para uma de minhas palestras, no qual apresento AS CINCO LEIS DA ESTUPIDEZ, com as quais o economista e historiador italiano Carlo Cipola fez uma análise sobre o impacto que a estupidez traz sobre a sociedade.

Seguindo os ensinamento de Cipola, mostro um gráfico com quatro quadrantes e proponho à plateia uma reflexão.

No primeiro quadrante estão as pessoas estúpidas, aquelas cujas ações trazem prejuízos a si próprias e às pessoas que as rodeiam. Ninguém ganha com o estúpido.

No segundo quadrante estão as pessoas ingênuas, aquelas cujas ações trazem prejuízos a si próprias e ganhos para terceiros.

No terceiro quadrante estão as pessoas sábias, aquelas cujas ações trazem ganhos para si, para as pessoas que as rodeiam e para a sociedade.

E no quarto quadrante estão os canalhas, as pessoas cujas ações só trazem benefício para si próprias, não importa que para isso causem prejuízo para outros e para a sociedade.

E a reflexão proposta é a seguinte: é muito fácil ter a atenção focada nos canalhas. Eles despertam em nós a indignação, a revolta, e com frequência neles depositamos a responsabilidade pelas mazelas que sofremos. O cenário político dos últimos anos no Brasil é um exemplo acabado: canalhas de diversos matizes, vermelhos azuis, verdes, com plumas, com rabos, desfilaram diante de nós suas estratégias para burlar as leis e sair impunes. O exemplo mais recente foi Renan Calheiros na votação do impeachment, brandindo a Constituição enquanto votava para que ela fosse vilipendiada. Canalhice explícita.

Mas os canalhas não são o câncer a ser extirpado, são o sintoma. O câncer são os estúpidos.

Imagine uma sociedade bem sucedida. Tente visualizar a distribuição daqueles quatro quadrantes. Não há dúvidas que poucos sábios estão no poder, controlando poucos canalhas e muitos estúpidos para que não explorem a maioria de ingênuos. Essa é uma sociedade bem sucedida, com crescimento, justiça e harmonia.

Numa sociedade como a brasileira, que está muito longe de ser bem sucedida, a disposição dos quadrantes é diferente. Poucos canalhas detêm o poder, garantidos por uma imensidão de estúpidos, e assim controlam os poucos sábios e exploram a maioria de ingênuos.

Sacou o jogo? São os estúpidos que apoiam e garantem os canalhas, que calam os sábios e exploram os ingênuos. Sem os estúpidos, os canalhas estão sós.

Portanto, neste momento crucial para a sociedade brasileira, nossas energias devem ser redirecionadas para os estúpidos, sempre lembrando que ninguém é estúpido, mas está estúpido. A estupidez é uma condição, portanto é possível sair ou tirar alguém dela. Fazer que a pessoa se torne consciente de sua estupidez é o primeiro passo a ser dado. A estupidez começa com a ignorância.

A canalhice também é uma condição, mas é mais difícil tirar alguém dela, pois o problema não é de ignorância, mas de caráter.

Se você faz parte dos ingênuos ou dos sábios, pare de gastar seu tempo, sua energia, com os canalhas. Dedique-se aos estúpidos. Em sua família, em sua escola, em sua empresa, em sua cidade, comece uma cruzada contra a estupidez.

Só assim acabaremos com os canalhas.

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